Você gostaria de ter certeza de estar fazendo o melhor para o crescimento feliz e saudável do seu filho e da sua filha, além de estimular seu melhor aproveitamento escolar?
Você quer saber o que fazer para que sua criança não seja afetada por uma epidemia que está se alastrando pelo mundo inteiro? Quais os efeitos da obesidade na educação da sua criança?
Os pais e responsáveis sempre se preocupam com a saúde, a felicidade e o desempenho escolar de suas crianças. Por isso, é importante que você preste bastante atenção nessas informações sobre a obesidade infantil e na adolescência e, algo que pode influenciar o desenvolvimento delas hoje e no futuro.
O CAB Colégio Abolição preparou um guia para ajudar você a lidar com essa questão. Continue lendo este artigo para saber mais sobre o que é obesidade infantil, quais as suas causas, como preveni-la e quais as soluções, tratamentos e cuidados possíveis.
O QUE É OBESIDADE INFANTIL?
A obesidade infantil e na adolescência acontece quando
uma criança ou um jovem está acima do peso normal para a sua idade e altura. Ela vai muito além das questões estéticas e pode causar preocupante comprometimento da saúde tanto física quanto psicológica dos indivíduos em idade escolar.
A obesidade é uma epidemia que afeta o mundo todo. Ela já substituiu a desnutrição como o maior problema nutricional em algumas partes da África.
Segundo o IBGE, atualmente, uma em cada três crianças no Brasil pesa mais do que deveria.
Estudos comprovam que a obesidade é o resultado de um desequilíbrio no sistema de autorregulação do corpo, da falta de equilíbrio entre as influências do ambiente, como alimentação e prática de atividades físicas, com as tendências genéticas. Isto significa que se trata de um desequilíbrio crônico de energia.
O sobrepeso pode causar complicações para a criança e o adolescente e acarreta problemas sérios na vida adulta, que incluem condições físicas e psicológicas tais como:
- Colesterol alto;

- Pressão alta;
- Doença cardíaca precoce;
- Diabetes tipo 2;
- Problemas ósseos;
- Distúrbios do sono;
- Problemas no fígado;
- Puberdade precoce;
- Depressão;
- Ansiedade;
- Asma e outras doenças respiratórias;
- Condições de pele como brotoeja, infecções por fungos e acne;
- Baixa autoestima e problemas de comportamento.
CAUSAS
Faz parte das obrigações dos pais, das instituições governamentais e da escola ficar atento aos cuidados com a alimentação e a manutenção da quantidade de exercícios praticados para prevenir esse distúrbio. Ao contrário do que muita gente pensa, nem sempre as crianças e jovens obesos são assim porque comem muito. Geralmente eles comem de forma errada, ingerindo alimentos de alto valor calórico, mesmo que em quantidade nem tão grande assim. E certamente obesidade não é questão de falta de força de vontade.
Infelizmente, ainda há quem considere que criança saudável é criança gorda. Isso acontece porque antigamente muitas crianças perdiam a vida com problemas como desidratação ou doenças respiratórias. O peso extra era uma vantagem para sobreviver a essas ameaças. Hoje em dia, contamos com tratamentos e cuidados que previnem e tratam essas enfermidades, portanto não é mais preciso conviver com os riscos do sobrepeso. Também em épocas passadas, ter um corpo volumoso era sinal de status e beleza, já que a comida era cara. Por isso, quando visitamos os museus vemos retratados, nas obras de arte, musas e nobres robustos.

Com a evolução nas técnicas de plantio, de criação de animais e da indústria alimentícia, é mais simples e barato conseguir alimentos. Com comida em abundância, passou a ser considerado belo ter um corpo magro, de quem consome alimentos não industrializados e tem muito tempo para passar na academia. A obsessão com a magreza cresceu tanto que dietas irresponsáveis e medicamentos para emagrecer comprometem a saúde de muitas pessoas. O segredo de uma vida saudável está no equilíbrio.
Além disso, o estilo de vida das pessoas mudou muito nas últimas décadas. Nos anos 1970, o percentual de brasileiros obesos entre 6 e 18 anos era na ordem de apenas 3%. Pesquisas de 2013 indicam que esses números já chegaram a 15%.

Os avanços tecnológicos, tais como a televisão, os computadores, os videogames, os celulares e eletrodomésticos fizeram com que as atividades do cotidiano e de lazer exigissem menos esforço físico. Para completar, a vida urbana agitada e violenta trouxe as crianças para dentro de casa e elas deixaram de lado o jogo de bola e as brincadeiras de pique e se fixaram nos seus equipamentos eletrônicos.
Fatores de risco
- Dieta desequilibrada, com o consumo de fast food, alimentos industrializados e congelados, refrigerantes, doces e frituras;
- Sedentarismo;
- Histórico familiar de obesidade, já que pode haver influência genética ou maus hábitos alimentares;
- Problemas de convivência familiar e
- Fatores psicológicos, como estresse ou tédio.

Fatores que desencadeiam a ansiedade, como a semana de provas ou a tensão do vestibular, podem tanto ser considerados causa como consequência do problema. A ansiedade faz comer mais, o que acarreta o peso e ainda mais insegurança e mais ansiedade.
Da mesma forma, pessoas com sintomas de depressão sofrem alterações no apetite. Quando deprimido, não é raro que a pessoa se sinta indisposta para praticar atividades físicas e busque satisfação nos doces, especialmente o chocolate.
DIAGNÓSTICO
Normalmente, quando alguém quer saber se está acima do peso, faz a conta do IMC (Índice de Massa Corporal). Ele funciona bem para adultos, mas não é adequado para crianças, porque as faixas de IMC infantil mudam de acordo com a idade e o sexo. O IMC não leva em conta a quantidade de massa muscular e a estrutura física da criança, e o ritmo de crescimento pode variar de uma para outra. Por isso, é importante consultar um especialista. A consulta regular ao pediatra deve incluir a observação de aumento anormal de peso. A cada consulta, deverão ser considerados o histórico da criança, seu crescimento e desenvolvimento.
Além do pediatra, outros especialistas poderão ser consultados para diagnosticar e controlar a obesidade infantil ou na adolescência, como o endocrinologista, o nutrólogo e o nutricionista.
Cabe aos pais já chegar ao consultório médico com algumas informações, como os sintomas; o histórico médico; medicamentos ou suplementos consumidos; perguntas para fazer ao médico ou médica; e registro de tudo o que o seu filho comeu durante a semana anterior à consulta. Os responsáveis também deverão estar preparados para responder a perguntas sobre a alimentação da criança num dia típico; quais suas atividades físicas; quais dietas e tratamento já feitos; se há familiares com sobrepeso; o que pode estar impedindo o emagrecimento da criança; se a criança come com distrações como televisão e celular. Assim, um bom profissional de saúde deverá verificar o IMC; encorajar, apoiar e proteger o aleitamento materno; incentivar hábitos alimentares saudáveis e atividade física e recomendar limitações à exposição a televisão, videogames e celulares.
Para complementar esses dados, o médico ou médica pode solicitar um exame de sangue para avaliar:
- Taxa de colesterol;
- Glicemia e
- Presença de desequilíbrios hormonais.
PREVENÇÃO
O aleitamento materno pode proteger contra a obesidade infantil, dizem estudos científicos. Aparentemente, essa prática auxilia a programação metabólica e a autorregulação da ingestão de alimentos. Bebês alimentados com leite industrializado antes dos 3 meses de idade apresentam mais dobras na pele que aqueles amamentados apenas no peito. 
Além de visitas anuais ao médico, é preciso que você dê o bom exemplo para seu filho. Coma alimentos saudáveis e faça exercícios regularmente.
É importante lembrar-se de não ligar os alimentos a determinados tipos de sentimentos. Portanto, evite usar doces ou outras comidas como recompensa ou punição para atitudes dos pequenos.
A ênfase deve ser sempre no positivo. Destaque os benefícios da boa alimentação e do exercício.
A paciência é sempre uma boa aliada. Cuidando da alimentação e das atividades físicas, é muito provável que o próprio processo de crescimento leve a criança ao peso recomendado. O estresse e a pressão sobre questões de obesidade podem levar a distúrbios alimentares.
Quando a obesidade acontece na puberdade, há 40% de chances de que ela se mantenha na vida adulta. No caso da adolescência, esta chance aumenta para 70%.
Os especialistas concordam que a educação é o instrumento mais valioso e eficaz para bloquear o aumento da incidência da obesidade e suas complicações e evitar que a previsão de que 35% da população adulta brasileira estará obesa em 2025 se realize.
Por isso, o CAB Colégio Abolição e sua equipe aderiram ao combate à obesidade infantil e na adolescência juntamente com os pais, responsáveis e alunos, observando as consequências da obesidade na educação. Propomos e contamos com o engajamento de todos em várias atividades de conscientização sobre obesidade e alimentação para as crianças do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.
Como cidadãos, também devemos cobrar do poder público iniciativas de prevenção como campanhas de educação nutricional, estruturas para práticas recreativas e legislação para a rotulagem e publicidades de alimentos.
TRATAMENTO
Quando se fala em tratamento de obesidade infantil e na adolescência, o foco principal é na mudança de estilo de vida.
A criança deve perder peso de forma lenta e constante, alimentando-se de forma saudável e praticando exercícios. Nada de fórmulas e dietas milagrosas que comprometam o bom funcionamento do organismo de seu filho ou filha. O envolvimento dos pais e responsáveis no processo é fundamental para que os objetivos sejam alcançados.
Alimentação saudável
Como cabe aos pais e responsáveis comprar, preparar e servir os alimentos, também cabe a eles tomar decisões certas que vão fazer toda a diferença na saúde da criança ou adolescente, tais como:

A indústria alimentícia lança no mercado produtos que colaboram para o aumento da obesidade no país. São produtos com excesso de carboidratos refinados, gordura trans, hidrogenada ou saturada, corantes, edulcorantes e outras substâncias artificiais que não colaboram com a nutrição e podem ser prejudiciais à saúde.
Atenção para a adolescência! Nesse período, a influência do meio é crucial no estado nutricional. Alterações psicológicas, biológicas e físicas afetam os hábitos alimentares e o equilíbrio de nutrientes e energia. O início da conquista da independência e da liberdade de escolha, ainda sem a maturidade e a experiência necessárias, pode levar a hábitos alimentares não saudáveis.
Desta forma, fica mais clara a importância do desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis na infância, que precisam ser reforçados na adolescência. É mais fácil fazer isso se a rotina de refeições realizadas à mesa, em família, é mantida.
O consumo de energia aumenta para que o crescimento rápido (estirão) aconteça e o adolescente alcance todo o seu potencial de estatura. Os meninos precisam de mais energia porque crescem mais e têm maior quantidade de massa muscular. Já nas meninas, o controle de obesidade previne o adiantamento do início da puberdade.
Na adolescência, aumenta a necessidade de ferro devido à expansão do volume de sangue e da massa muscular. Assim, é recomendada a ingestão de carne, peixe, feijão, verduras verde-escuro, grãos e castanhas. Além disso, a ingestão de cálcio, presente no leite, iogurte e queijos, é essencial para a formação de ossos fortes.
Prática de atividade física
Os exercícios físicos ajudam a fortalecer os ossos e músculos, melhoram seu humor, ajudam a regularizar o sono e ainda queimam calorias. Praticar atividades físicas desde cedo pode incentivar seu filho ou filha a manter esse hábito pelo resto da vida, evitando a obesidade também na idade adulta.
Medicamentos
São poucos os casos em que medicamentos são prescritos no combate à obesidade infantil ou na adolescência. O uso de medicamentos pode ser necessário caso essa condição seja causada por distúrbios da tireóide, por exemplo, ou provoque o aumento das taxas de colesterol. De qualquer forma, eles são utilizados em conjunto com a reeducação alimentar e a prática de exercícios.
Cirurgia
No caso da obesidade na adolescência, a cirurgia bariátrica só será recomendada em quadros graves, quando todos os outros métodos para perder peso tiverem falhado. O médico ou médica é a pessoa indicada para conversar com pais e responsáveis sobre os riscos dessa cirurgia. O adolescente deverá ser acompanhado por uma equipe formada por endocrinologistas, nutricionistas, pediatras e psicólogos.
CUIDADOS DO DIA-A-DIA
Todo adulto com uma criança sob sua responsabilidade sabe como pode ser duro introduzir e manter uma alimentação saudável. Por isso, o CAB Colégio Abolição traz algumas dicas.
Seja firme
A criança pode e deve saber os motivos pelos quais ela deve comer o que os pais ou responsáveis estão lhe indicando, mas eles precisam ser firmes com ela. Não se deve substituir uma refeição saudável por uma guloseima. Não ameace nem force a criança, mas insista que é hora daquele alimento. Se ela se recusar a comer, guarde e, quando a criança tiver fome, ofereça a mesma comida.
É preciso provar o mesmo alimento várias vezes antes de decidir que não gosta. Quanto mais cedo este processo ocorrer, melhor. Quanto mais crescida a criança for, mais paciência será necessária durante essa transição.
Alimentos atraentes
Ofereça itens com sabores azedo e amargo, não se detenha no doce ou salgado. Quem cuida de uma criança precisa ser criativo na hora de preparar e apresentar novos alimentos.
Introduza novos alimentos com calma, sem chamar muita atenção para a novidade. O estardalhaço pode atrapalhar, em vez de ajudar. Se a criança não gostou do alimento preparado ou apresentado de determinada forma, tente de outro jeito. Use as cores e as formas dos alimentos para decorar os pratos e transformar este momento numa experiência agradável.
Birra
Os pais devem mostrar desde cedo que é deles e não da criança a palavra final. Ela deve perceber claramente que não vai ganhar no grito. Não reforce o comportamento birrento ao ceder. Deixe a criança sozinha no momento de birra e só volte a falar com ela quando ela parar.
Não barganhe
Mesmo funcionando na hora, esta atitude pode pôr seu esforço a perder. A criança só fará o que você quer que ela faça em busca de um ganho e não porque é certo.
Incentive novas modalidades de atividade
Você pode propor uma infinidade de atividades físicas para crianças em forma de brincadeiras que elas vão achar divertidas, especialmente por praticá-las com você. Leve-as a caminhadas, a visitas a parques com brinquedos e a passeios diferentes. Compre ou alugue patins e bicicletas para atividades ao ar livre. Entretanto, na adolescência este quadro costuma mudar. Em primeiro lugar, os adolescentes estão em busca da própria independência e preferem a companhia dos amigos. Depois, as aulas da escola e a academia de ginástica podem rapidamente se tornar entediante para eles. Aproveite que muitos clubes e academias oferecem aulas diversificadas que podem atrair seu filho ou filha por serem mais de acordo com a personalidade dele. Deixe que ele ou ela observe e até participe de aulas de modalidades diferentes de dança e luta para que se testem nessa fase de descobertas. Incluir os amigos e amigas de seu adolescente nos passeios também pode funcionar muito bem.
Dê o exemplo
Você é referência para seu filho ou filha. Observe como andam as suas próprias práticas em termos de alimentação e atividade física. Eles podem e vão usar seus maus hábitos alimentares e seu sedentarismo contra você na hora de argumentar para ficar mais tempo jogando videogame ou para ganhar um pacote de salgadinho. Toda a família e outras pessoas que exerçam influência sobre a criança devem estar envolvidos.
Exercite-se e coma direito. O benefício extra será melhorar a sua própria qualidade de vida.
Não exagere
E excesso de cobrança e a competitividade podem ser um tiro no pé. Os pais deve ser um exemplo natural, mas se já são ativos fisicamente, podem passar da medida na hora de incentivar os filhos e filhas. Os jovens precisam chegar à aceitação da prática da atividade física pelo prazer que ela pode proporcionar.
AUTOESTIMA E BULLYING
O indivíduo obeso deprecia sua própria imagem e pode ser levado a uma preocupação opressiva com a obesidade. Especialmente na adolescência, fase de desenvolvimento e mudanças, é comum que apareçam inseguranças sobre o próprio corpo. O fato de ter que usar roupas diferentes ou se colocar em situações que eles considerem constrangedora pode fazer com que jovens rejeitem determinadas atividades. Esse é um dos momentos de interferência da obesidade na educação.
Aqui no CAB Colégio Abolição entendemos que ouvir é sempre uma boa atitude diante desse impasse. Os adultos que convivem com a criança têm maior chance de detectar os sentimentos de tristeza, irritabilidade e agressividade, porque sem ajuda a criança não relaciona seu estado emocional com seu excesso de peso. Esses comportamentos podem ser sintomas de depressão e ansiedade. O diálogo é fundamental para que surjam alternativas, pois simplesmente forçá-las a participar de atividades que a criança ou jovem rejeitam pode piorar a crise.
Outra questão importante a ser observada bem de perto é o bullying. Este é um fator agravante do sentimento de desamparo que os jovens experimentam, já que o padrão de beleza vigente é a magreza, mesmo que nem sempre saudável. Desta forma, quem está acima do peso se sente diferente e excluído, podendo ser alvo de isolamento, rejeição e atitudes violentas, tanto verbais quanto físicas, por parte de alguns colegas.
O isolamento ou retraimento social podem contribuir para o agravamento da obesidade por meio de vulnerabilidades psicológicas que aumentam a tendência a comer demais e ao sedentarismo. Esse comportamento pode inclusive afetar o desempenho escolar.
Lamentavelmente, o preconceito e a discriminação são, com frequência, parte da vida das crianças com sobrepeso.
Pais e professores devem ficar atentos se a criança ou adolescente reluta em praticar qualquer atividade física na escola. Pode ser sinal de que foi vítima de bullying e que prefere não participar da atividade proposta para não ser exposto à humilhação.
No CAB Colégio Abolição estamos alertas para intervir e ajudar a solucionar esses casos, pois sabemos que não querer participar de atividades físicas é apenas um sintoma. Casos de bullying requerem ainda acompanhamento psicológico. A autoestima da criança é construída com a ajuda dos pais. Fale de saúde e boa forma, mas tome cuidado para não ferir os sentimentos dela. Não julgue, nem critique. Elogie seus esforços. Esteja disponível para falar e ouvir sobre sentimentos do seu filho ou da sua filha. Ajude sua criança a ter objetivos positivos.
Com todas essas dicas em mãos, nos colocamos à disposição para, em parceria de pais e responsáveis, garantir uma vida saudável e feliz para as nossas crianças, fomentando sua autoestima e tendo como mais uma consequência agradável o bom desempenho escolar.
